Viajar com animal de estimação de avião exige duas confirmações diferentes: a sanitária, que depende do Brasil e do país de destino, e a operacional, que depende da companhia aérea e do voo. Não basta comprar sua passagem e chegar com a caixa de transporte: o serviço pode ter vagas limitadas, peso máximo, medidas específicas, restrições de rota e prazo próprio de solicitação.
Índice
Este guia explica a regra da ANAC, os documentos nacionais e internacionais, a diferença entre cabine, porão e carga e as políticas publicadas por LATAM, GOL e Azul. Smiles é o programa de fidelidade da GOL: para levar o pet em um voo emitido com milhas Smiles, valem as regras da GOL que opera o trecho, não uma regra separada da Smiles.
Resumo: para cães e gatos em voo nacional, tenha atestado sanitário de veterinário inscrito no CRMV e comprovante de vacinação antirrábica válido; reserve a vaga do pet antes; meça e pese o animal junto com o contêiner; e confirme a regra do voo que realmente será operado. Em voo internacional, some os requisitos do destino e o certificado veterinário internacional emitido/chancelado pelo MAPA.
O que a ANAC determina — e o que fica a cargo da companhia
A Portaria ANAC nº 12.307/2023, atualizada na página da Agência em outubro de 2025, não cria um peso máximo nacional nem obriga toda empresa a aceitar pet. Ela permite que a empresa ofereça o transporte na cabine ou no compartimento de bagagem e carga, dentro do contrato de transporte.
| Regra da ANAC | O que ela significa para o tutor |
|---|---|
| Informação clara antes da compra | Se a companhia oferece o serviço, deve informar franquia de peso, volumes, espécies aceitas, valores e procedimento de despacho. |
| Capacidade e segurança podem limitar o serviço | A empresa pode restringir quantidade ou negar o transporte por capacidade da aeronave, falta de espaço na cabine, emergência ou segurança operacional. |
| Comprovação sanitária no despacho | O responsável deve apresentar os requisitos de saúde animal aplicáveis e submeter o animal à inspeção de segurança. |
| Recusa por descumprimento | Se documentação, caixa, comportamento, peso ou regra contratual não forem atendidos, o embarque pode ser recusado. |
| Dano durante o transporte | A empresa deve indenizar o passageiro nos termos da Resolução ANAC nº 400/2016; documente o estado do animal e faça o registro imediatamente. |
Na prática, isso elimina um erro comum: uma reserva humana confirmada não significa que o pet está confirmado. O serviço do animal precisa aparecer na reserva, estar disponível naquele voo e passar pela conferência física no aeroporto.
Documentos para viajar com pet dentro do Brasil
Para cães e gatos em trânsito nacional, o MAPA informa que não é exigida GTA (Guia de Trânsito Animal). O animal deve estar acompanhado de atestado sanitário emitido por médico-veterinário inscrito no CRMV da UF de origem, comprovando a saúde e o atendimento das medidas sanitárias, com destaque para a imunização antirrábica.
- Atestado sanitário: peça ao veterinário já com a rota e a data em mãos. A validade pode depender do documento e da companhia; não presuma que a regra de uma empresa vale para outra.
- Comprovante de vacina antirrábica: leve a carteira/certificado legível e válido. O MAPA aponta a vacinação antirrábica como requisito sanitário central para cães e gatos.
- Documento do responsável e reserva do pet: confira se o nome do passageiro, o trecho e o serviço contratado estão corretos.
- Outras espécies: aves, coelhos, furões, iguanas e outros animais têm regras diferentes; o MAPA informa que, em geral, exigem GTA e espécies silvestres podem demandar autorização do Ibama. Não use a lista de cães e gatos como se fosse universal.
Há requisitos adicionais próprios das empresas. A Azul, por exemplo, informa atestado de saúde emitido em até 10 dias antes da viagem para seu Pet na Cabine. Isso é uma condição da Azul, não uma autorização para afirmar que “todo atestado nacional vale 10 dias”.
Viagem internacional: comece pelo país de destino, não pela passagem
Para sair do Brasil, o ponto de partida é a página do MAPA/Vigiagro para o país de destino. O documento sanitário internacional pode ser CVI (Certificado Veterinário Internacional) ou CZI (Certificado Zoossanitário Internacional), conforme o modelo e o acordo aplicável. A página oficial alerta que os manuais mudam por destino e que podem ser exigidos microchip, sorologia de raiva, tratamentos antiparasitários, vacinas e autorizações de importação.
Não deixe para a semana do voo. Alguns países contam prazos a partir da data do microchip, da vacina ou da coleta de sorologia. Um exame correto, feito fora da janela exigida, pode não servir. Para a saída do Brasil, a documentação nacional — atestado de saúde e antirrábica válida — continua necessária, mas não substitui o documento internacional e as exigências do destino.
| Etapa | O que confirmar | Erro que impede a viagem |
|---|---|---|
| País de destino | Manual do cidadão, idade mínima, microchip, vacina, sorologia, antiparasitário, quarentena e porto/aeroporto de entrada. | Comprar o voo antes de saber se o país admite o animal naquela data. |
| MAPA/Vigiagro | Tipo de certificado, veterinário habilitado quando aplicável, canal de solicitação e prazo. | Confundir CVI/CZI ou apresentar dados diferentes dos documentos do pet. |
| Companhia operadora | Cabine, porão/carga, rota, conexão, raça, caixa, reserva e cobrança por trecho. | Olhar apenas a companhia que vendeu a passagem, ignorando a empresa que opera o voo. |
| Retorno ao Brasil | Documento aceito pelo Brasil e exigências sanitárias de ingresso. | Planejar somente a ida e descobrir no exterior que falta documento para voltar. |
Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Austrália, Galápagos e outros destinos podem ter exigências muito específicas. A própria LATAM cita regras do CDC para cães que entram nos EUA; a Azul informa restrição temporária para cães saindo do Brasil rumo aos EUA. Essas condições são voláteis: consulte a autoridade do destino e a companhia antes de emitir ou alterar a passagem.
Cabine, porão ou carga: qual é a diferença?
| Modalidade | Como funciona | Quem costuma se encaixar | Atenção |
|---|---|---|---|
| Pet na cabine | O animal permanece fechado no contêiner, sob o assento à frente do tutor durante o voo. | Cães e gatos pequenos que atendem peso, idade e dimensões. | Não é permitido ficar no colo ou solto. Há assentos e saídas de emergência incompatíveis. |
| Compartimento inferior / porão | O animal viaja em kennel próprio, em área destinada a transporte de bagagem/carga, quando a empresa oferece esse serviço. | Pets que excedem a regra de cabine e atendem rota, peso, raça e caixa. | Nem toda companhia oferece o serviço; há restrições de clima, aeronave, conexão e raças braquicefálicas. |
| Carga especializada | É uma contratação logística distinta da passagem do passageiro. | Outras espécies, animais maiores ou situações fora do serviço de passageiro. | Não confunda com “pet despachado”; a operação, reserva, custo e prazo podem ser outros. |
A capa deste artigo mostra um cachorro sentado na poltrona como ilustração editorial. Na viagem real, pet comum não pode ocupar o assento: quando aceito na cabine, ele deve ficar dentro do contêiner, acomodado sob o assento à frente, salvo regra específica para cão-guia ou cão de serviço.
LATAM: regras publicadas para viajar com cachorro ou gato
A LATAM aceita cães e gatos em voos operados exclusivamente por ela; conexão com outra empresa ou trecho em codeshare pode inviabilizar o serviço. O pet deve estar saudável, dócil, não sedado e ter pelo menos 16 semanas. Em origem ou destino nos Estados Unidos, a idade mínima publicada é 6 meses.
| LATAM | Regra publicada |
|---|---|
| Cabine | Caixa rígida: até 36 × 33 × 19 cm. Bolsa flexível: até 40 × 28 × 25 cm. O animal deve ficar em pé sem tocar o teto, girar e se mover naturalmente. |
| Classe/itinerário | Cabine Economy ou Premium Economy; apenas operação LATAM, sem codeshare. |
| Porão | É possível quando o pet excede a cabine, sujeito a avaliação, rota, aeronave, peso, caixa e confirmação da LATAM. |
| Limites no porão | A319/A320/A321: até 32 kg (pet + caixa) em voos até 4 h e 23 kg em voos de 4 a 5 h. B767/B777/B787: até 45 kg, com exceções de 32 kg para Europa, Argentina e Venezuela. |
| Restrições | Raças perigosas ou braquicefálicas não são aceitas no porão; a caixa pode ter até 300 cm lineares e 115 cm de altura. |
| Solicitação | Cabine: até 4 h antes da saída. Porão: depois da compra e até 48 h antes; em rotas internas no Brasil, a página informa janela de até 60 dias antes da partida. |
Veja a fonte da LATAM sobre transporte de animais antes de reservar. Se a passagem for emitida com pontos, as regras do voo não mudam: consulte também nossos guias de como usar milhas LATAM Pass e de cancelamento e reembolso LATAM Pass para evitar perder uma emissão caso o pet não seja confirmado.
GOL e Smiles: Dog&Cat Cabine, GOLLOG e restrições
A Smiles não opera aeronaves; o transporte do pet em uma emissão Smiles segue a política da GOL se a GOL operar o trecho. No serviço Dog&Cat Cabine, a página da GOL informa cães e gatos de até 12 kg somando animal e caixa, contratáveis durante a compra ou em Minhas Viagens.
- Preço doméstico publicado: R$ 200 por trecho/pet com mais de 48 horas de antecedência e R$ 250 com menos de 48 horas. Preço é por trecho, não por ida e volta.
- Onde o contêiner fica: sob o assento à frente; primeira fila e saída de emergência não são autorizadas.
- Rotas: o Dog&Cat Cabine não está disponível para voos com origem ou destino em Fernando de Noronha, Estados Unidos e Europa. Caracas tem limite de 6 kg com caixa.
- Porão: a página informa que o Dog&Cat + Espaço, para até 30 kg, está suspenso. Não anuncie esse serviço como alternativa disponível sem checar novamente.
- GOLLOG Animais: é operação própria de logística, com reserva mínima de 48 h e regras próprias; não é substituto automático do serviço de cabine.
- Apoio emocional: a GOL informa que não realiza o transporte de animais de assistência emocional como categoria especial. Cão-guia/cão-ouvinte têm regras distintas.
Em uma emissão com milhas, trate a confirmação do pet como condição anterior à emissão não reembolsável. Consulte nosso guia de como usar milhas Smiles se precisar comparar os trechos, mas confirme a vaga do Dog&Cat antes de concluir a operação.
Azul: Pet na Cabine, peso, caixa, custo e rotas
A Azul informa que não transporta pet no porão; para animais de estimação, o serviço é Pet na Cabine. São aceitos somente cães ou gatos a partir de 4 meses, até 10 kg somando animal e contêiner. Cada passageiro pode levar um pet.
| Azul Pet na Cabine | Regra publicada |
|---|---|
| Preço | Brasil e América do Sul: R$ 300 por trecho. EUA/Europa: R$ 790 em Economy e R$ 1.575 em Business, com valores em moeda estrangeira previstos na página para pontos de venda correspondentes. |
| Contêiner | Máximo de 20 cm de altura, 31,5 cm de largura e 43 cm de comprimento. |
| Material | Rígido de fibra ou plástico resistente; flexível impermeável com hastes internas de metal. Madeira e palha não são aceitas. |
| Durante o voo | O animal fica no contêiner na sala de embarque, voo e desembarque; viaja sob o assento à frente. |
| Vagas | Até 3 pets por voo no Brasil; até 5 em voos internacionais, conforme a divisão de cabines publicada. |
| Restrições | Não disponível em voos Azul Conecta ou em voos operados por companhias parceiras. Passageiro menor desacompanhado e passageiro com criança de colo não podem ser responsáveis pelo pet. |
| Check-in | Apresente-se com 2 h de antecedência no Brasil e 3 h no exterior. |
A página oficial da Azul Pet na Cabine informa ainda que cães saindo do Brasil para os Estados Unidos estão temporariamente suspensos por determinação sanitária do CDC; gatos seguem com regras próprias. Para Paraguai, por exemplo, a Azul lista CVI, vacina antirrábica válida e atestado de até 10 dias. Isso mostra por que é incorreto usar uma lista internacional única para todos os países.
Como escolher e preparar a caixa de transporte
Compre o contêiner depois de escolher a companhia e a rota. O produto pode ser ótimo para carro e ainda assim reprovar no avião por altura, material ou fecho. Faça o teste em casa: o animal precisa entrar sem ser forçado, ficar de pé, girar e deitar com conforto.
- Meça altura, largura e comprimento externos da caixa, incluindo estrutura, alças e rodas quando existirem.
- Pese o animal já dentro do contêiner. O limite informado pelas empresas normalmente soma os dois.
- Confira material, ventilação, base absorvente e trava. Não improvise com caixa aberta, bolsa sem estrutura exigida ou fecho frágil.
- Deixe o contêiner aberto em casa por dias ou semanas, com manta e petiscos, para construir associação positiva.
- Faça deslocamentos curtos e só então aumente o tempo. O objetivo é o pet descansar na caixa, não apenas tolerá-la em pânico.
Checklist: da compra da passagem ao embarque
- Antes de emitir: confirme companhia operadora, conexão, elegibilidade da rota, serviço disponível e total de peso/medidas.
- Reserve o pet: não espere o check-in; registre o serviço e guarde o protocolo/recibo.
- Leve ao veterinário: avalie aptidão para voo, vacinas, documentação e estratégia de adaptação. Não medique por conta própria.
- Documentação: monte uma pasta física e digital com atestado, vacinação, certificados internacionais e contatos.
- 48 a 72 horas antes: reconfirme voo, aeronave, serviço do pet e eventual mudança de rota ou operador.
- No aeroporto: chegue no prazo mais conservador da companhia, faça atendimento presencial e apresente todos os documentos.
- Após o voo: observe o animal, guarde comprovantes e, se houver dano ou divergência, registre a ocorrência antes de sair do aeroporto.
Saúde, alimentação, sedação e bem-estar
O veterinário é quem deve avaliar se o animal está apto a voar. A LATAM proíbe pet sedado; outras empresas também podem restringir sedação por riscos respiratórios e de resposta em altitude. Não administre calmante por recomendação de internet. Discuta raça, idade, doenças cardíacas/respiratórias, ansiedade e alimentação com o profissional que acompanha o pet.
Evite transformar o voo em estreia total: acostume o animal à caixa, mantenha identificação no contêiner e leve material absorvente. Chegue com tempo, mas evite jejum ou rotina alimentar sem orientação veterinária. O objetivo não é “fazer o pet dormir”; é reduzir estímulo e manter segurança.
Se a companhia recusar o embarque ou houver problema
Quando a recusa ocorrer por documento vencido, caixa incompatível, excesso de peso ou falta de reserva, a empresa pode negar o transporte. Quando houver negativa por contingência operacional, a Portaria da ANAC prevê assistência ao passageiro e animal nos termos do contrato e da legislação. Peça a razão por escrito, registre nome/data/protocolo, fotografe a caixa e os documentos e avalie alteração ou reembolso conforme a tarifa e o caso.
Se houver dano durante o transporte, faça o protesto imediatamente no aeroporto e guarde fotos, laudo veterinário, cartão de embarque, comprovante do serviço e protocolos. Para uma viagem que também envolva hospedagem ou saúde do tutor, veja como funciona seguro viagem pago ou do cartão; não presuma, porém, que ele cobre despesas veterinárias do pet — leia as condições específicas da apólice.
Regra final: não transfira, compre ou emita uma passagem em pontos antes de confirmar a viabilidade do pet no voo. A disponibilidade da poltrona humana e a disponibilidade do serviço para o animal são coisas diferentes.
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