O Banco do Brasil suspende parcelamento de cartão automático de faturas após um significativo aumento da inadimplência no segundo trimestre. A medida visa conter a deterioração da qualidade do crédito, que dobrou em apenas três meses para cartões de crédito de pessoas físicas, afetando diretamente a saúde financeira da instituição e de seus clientes.
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A decisão do Banco do Brasil (BBAS3) de interromper a modalidade de parcelamento automático para pessoas físicas foi comunicada após a divulgação de seu balanço em 12 de julho. A oferta, que inicialmente buscava auxiliar clientes com dificuldades em pagar a fatura integral, acabou se tornando um ciclo de endividamento sem a exigência de uma entrada, elevando os índices de inadimplência.
Por que o Banco do Brasil suspende parcelamento de cartão?
A principal razão pela qual o Banco do Brasil suspende parcelamento de cartão foi o salto drástico na inadimplência. Segundo Geovane Tobias, vice-presidente financeiro do Banco do Brasil, a modalidade de parcelamento automático, observada no primeiro trimestre, gerou um comportamento de crédito diferente do esperado. Em vez de mitigar o problema, contribuiu para o agravamento da situação de endividamento dos clientes.
Os dados do balanço do segundo trimestre de 2026 foram alarmantes. A inadimplência em atrasos superiores a 90 dias, especificamente na carteira de cartões de crédito para pessoas físicas, saltou de 7,12% em março para 14,58% em junho. Essa duplicação em tão pouco tempo forçou o banco a agir rapidamente, interrompendo a operação no final de março.
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, enfatizou que a prioridade foi “estancar a linha” de crédito para frear a deterioração. A expectativa é que, com a suspensão, o indicador de inadimplência retorne aos patamares anteriores ao segundo trimestre, normalizando a curva de atrasos.
O impacto da decisão para os consumidores
Para os consumidores, a suspensão significa que a opção de parcelamento automático da fatura do cartão de crédito não estará mais disponível. Aqueles que dependiam dessa modalidade para gerenciar suas despesas precisarão buscar outras alternativas. É um momento crucial para a revisão de orçamentos e para o planejamento financeiro pessoal.
- Revisão do orçamento: Avalie suas despesas e receitas para evitar o acúmulo de dívidas.
- Busca por alternativas: Caso precise parcelar, procure por linhas de crédito com juros mais baixos ou renegocie diretamente com o banco.
- Atenção aos juros: O parcelamento de fatura de cartão de crédito possui taxas elevadas. Evite-o sempre que possível.
Apesar da medida corretiva nos cartões, a piora na qualidade do crédito não ficou restrita a este segmento. A inadimplência acima de 90 dias na carteira total do Banco do Brasil atingiu 5,61% em junho, registrando alta tanto no trimestre quanto no período de 12 meses. Pessoas físicas e produtores rurais foram os grupos que mais contribuíram para essa deterioração.
Felipe Prince, vice-presidente de Riscos, destacou que os modelos internos do banco já haviam antecipado essa deterioração. Com base na perda esperada, a instituição decidiu provisionar os valores e reduzir a concessão de crédito para clientes considerados de menor resiliência financeira. O custo total do crédito também aumentou significativamente em relação ao ano anterior.
O que o mercado pensa sobre a suspensão?
Apesar de o Banco do Brasil ter revertido a situação do parcelamento, as reações do mercado foram de cautela. As ações do Banco do Brasil registraram queda no pregão de 13 de julho, refletindo a preocupação dos investidores. Analistas mantiveram uma visão negativa para as ações, mesmo com um lucro que superou as projeções, devido à piora nos indicadores de qualidade dos ativos.
Instituições como o Safra e o Itaú BBA apontaram para a contínua deterioração em pessoas físicas e a necessidade de melhoria em outros segmentos, como o agronegócio. A formação de novos créditos inadimplentes no varejo e a necessidade de melhora no agronegócio foram pontos de alerta. A suspensão do parcelamento é vista como um passo importante, mas não o único para a recuperação da rentabilidade.
A administração do Banco do Brasil reconhece que o desafio vai além de absorver os problemas identificados. O foco agora é evitar que novas concessões de crédito repitam os erros do passado. O banco busca crescer, mas com a devida cautela para que esse avanço não traga mais riscos, como observado no segmento de cartão de crédito. A meta é atingir o topo da faixa de provisões, entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões, para garantir a solidez financeira.
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