O governo dos Estados Unidos tornou permanente o programa de caução para determinados solicitantes dos vistos B1, B2 e B1/B2. Com a mudança, o Visto dos EUA mais caro poderá exigir um depósito de US$ 10 mil, US$ 15 mil ou US$ 20 mil, conforme a avaliação do oficial consular.
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A regra final entrou em vigor em 3 de agosto de 2026 e substitui o projeto-piloto iniciado em agosto de 2025. A exigência alcança cidadãos de 50 países atualmente incluídos no programa, mas o Brasil não faz parte da lista.
O que mudou com a nova regra?
Na prática, o Visto dos EUA mais caro não significa que a taxa consular comum tenha sido reajustada para todos os viajantes. O aumento está relacionado a uma caução adicional exigida apenas dos solicitantes enquadrados no Visa Bond Program.
O Departamento de Estado estabeleceu três valores possíveis:
- US$ 10 mil;
- US$ 15 mil;
- US$ 20 mil.
A orientação geral é que o oficial consular fixe a caução em US$ 15 mil. O valor poderá cair para US$ 10 mil ou subir para US$ 20 mil, dependendo das circunstâncias do solicitante, como renda, emprego, objetivo da viagem, formação e vínculos com os Estados Unidos.
Como funciona a caução do visto americano?
O solicitante passa normalmente pela entrevista consular. Caso seja considerado elegível para o visto e esteja sujeito ao programa, receberá a orientação para pagar a caução pela plataforma oficial indicada pelo governo americano.
O Visto dos EUA mais caro somente poderá ser emitido depois que o depósito exigido for realizado. O pagamento poderá ser feito pelo próprio viajante ou por outra pessoa, desde que os dados do pagador correspondam aos registrados no formulário da caução.
O depósito funciona como uma garantia de que o visitante cumprirá as condições da viagem e deixará os Estados Unidos dentro do prazo autorizado.
Quando o dinheiro da caução é devolvido?
A caução deverá ser devolvida quando o viajante cumprir as regras do programa. Entre as situações previstas estão:
- saída dos Estados Unidos dentro do período autorizado;
- não utilização do visto antes do vencimento;
- negativa de entrada pelas autoridades migratórias no aeroporto.
O dinheiro é devolvido para a pessoa que realizou o pagamento. Como o depósito é feito e restituído em dólares, eventuais variações cambiais ficam sob responsabilidade do pagador.
Por outro lado, o valor poderá ser perdido caso o visitante permaneça nos Estados Unidos além do prazo, viole as condições do status migratório ou descumpra outras regras previstas no programa.
Por que os Estados Unidos adotaram a medida?
Segundo o Departamento de Estado, o programa busca reduzir os casos de permanência irregular, conhecidos como visa overstays, quando o viajante permanece no país depois do período autorizado.
Durante os dez primeiros meses do projeto-piloto, os 50 países participantes haviam registrado 45.488 permanências irregulares no ano fiscal de 2024. No período inicial do programa, o total informado pelo governo caiu para menos de 50 casos.
O Visto dos EUA mais caro também reduziu a procura e a emissão de vistos nos países afetados. Aproximadamente 20 mil pedidos foram enquadrados na exigência, mas quase metade dos solicitantes decidiu não pagar a caução.
Emissão de vistos caiu 83%
O governo americano informou que a emissão de vistos B1/B2 para cidadãos dos países incluídos caiu 83% nos primeiros dez meses do programa, em comparação com o mesmo período anterior.
Para as autoridades, a redução demonstra que a caução pode ajudar a diminuir os casos de permanência irregular. Ao mesmo tempo, o depósito representa uma barreira financeira elevada para viajantes que não conseguem manter até US$ 20 mil bloqueados durante a viagem.
O governo também considerou o custo estimado de aproximadamente US$ 18.042 para localizar, processar e remover um estrangeiro que permaneça irregularmente no país.
Quais países estão sujeitos à caução?
Atualmente, o Visto dos EUA mais caro pode atingir cidadãos dos seguintes 50 países:
- Argélia
- Angola
- Antígua e Barbuda
- Bangladesh
- Benin
- Botsuana
- Burundi
- Butão
- Cabo Verde
- Camboja
- Costa do Marfim
- Cuba
- Djibuti
- Dominica
- Etiópia
- Fiji
- Gabão
- Gâmbia
- Geórgia
- Granada
- Guiné
- Guiné-Bissau
- Lesoto
- Malauí
- Maurícias
- Mauritânia
- Mongólia
- Moçambique
- Namíbia
- Nepal
- Nicarágua
- Nigéria
- Papua-Nova Guiné
- Quirguistão
- República Centro-Africana
- São Tomé e Príncipe
- Seicheles
- Senegal
- Tajiquistão
- Tanzânia
- Togo
- Tonga
- Tunísia
- Turcomenistão
- Tuvalu
- Uganda
- Vanuatu
- Venezuela
- Zâmbia
- Zimbábue
A relação oficial poderá ser modificada ao longo do tempo. Novos países deverão ser anunciados com pelo menos 15 dias de antecedência, enquanto uma retirada da lista poderá produzir efeito imediato.
Brasileiros serão afetados?
Não. O Brasil não está entre os países atualmente sujeitos ao programa de caução.
Isso significa que o Visto dos EUA mais caro não altera, neste momento, o processo regular dos brasileiros que solicitam os vistos de turismo ou negócios.
Os viajantes brasileiros continuam submetidos às taxas, entrevistas, análise documental e demais regras já aplicadas ao processo consular. No entanto, como a relação de países poderá ser atualizada, é importante consultar os canais oficiais antes de iniciar uma nova solicitação.
A caução garante a aprovação do visto?
Não. O depósito não garante a emissão do visto nem a entrada nos Estados Unidos.
Primeiro, o oficial consular precisa considerar o solicitante elegível. Em seguida, o pedido poderá ficar temporariamente recusado sob a seção 221(g) até que a caução seja paga. Após a confirmação do depósito, o processo poderá continuar.
Também não se deve realizar nenhum pagamento antes da orientação do consulado. O Departamento de Estado alerta que o solicitante receberá um acesso direto à plataforma oficial e não deve utilizar sites de terceiros.
O viajante pode entrar por qualquer fronteira?
Não. Quem pagar a caução deverá entrar e sair dos Estados Unidos por aeroportos comerciais ou por locais autorizados de pré-inspeção da autoridade de fronteira.
Entradas ou saídas por fronteiras terrestres, portos marítimos, voos fretados ou aviação geral não são permitidas para os participantes do programa.
A exigência permite que o governo acompanhe a chegada e a saída do visitante e confirme se o período autorizado foi respeitado.
A caução poderá aumentar novamente?
Sim. O valor máximo de US$ 20 mil poderá ser reajustado pela inflação a partir de 1º de outubro de 2027 e, depois disso, a cada sete anos.
Dessa forma, o Visto dos EUA mais caro poderá ter novos valores no futuro, mesmo que a lista de países permaneça igual. Os reajustes deverão considerar o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos e serão arredondados para o próximo múltiplo de US$ 1 mil.
Qual será a validade do visto emitido com caução?
Os vistos emitidos dentro do programa poderão permitir uma ou mais entradas nos Estados Unidos, com validade entre três e 12 meses a partir da emissão.
A duração exata dependerá da decisão consular e das regras aplicáveis ao solicitante.
Conclusão
A transformação do programa em regra permanente aumenta o custo e a complexidade do pedido de visto para cidadãos dos países selecionados. O depósito padrão tende a ser de US$ 15 mil, mas poderá chegar a US$ 20 mil conforme a análise consular.
Para brasileiros, nada muda por enquanto. Mesmo assim, o Visto dos EUA mais caro mostra que o governo americano pretende reforçar o controle sobre visitantes de países com índices elevados de permanência irregular ou problemas relacionados à verificação de identidade e ao compartilhamento de informações.
Acompanhe as mudanças nas regras de viagem
As regras para entrada nos Estados Unidos podem mudar com frequência. Antes de solicitar o visto ou organizar a viagem, consulte sempre as exigências atualizadas para o seu país.
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